quinta-feira, 8 de maio de 2008

Dos Novos mas Esperados Caminhos e o Medo da Felicidade


*Foto por Daniel Oliveira


A maioria das pessoas não consegue ser feliz por ter demasiado medo de se entregar. Quando algo de bom surge nas suas vidas, recuam e fecham-se, com medo de se desiludirem e magoarem. Muitas das vezes recusa-se a felicidade de um dia com medo de já não a terem no dia seguinte. De facto, é muito mais fácil habituarmo-nos à dor e às lágrimas, à infelicidade e ao sentimento de que “algo não está bem”, “detesto a minha vida”, “estou farta disto tudo”. Já em relação à felicidade... nunca nos habituamos a ela. Queremos sempre mais. Gostaríamos que fosse eterna e é tão preciosa que temos imenso medo que nos abandone pois, nessa altura, sabemos o quanto nos vai doer a perda e a ausência.
Assim ando eu com os meus comboios. Tenho perdido tantos comboios que, agora que este Alfa parou violenta e repentinamente à minha frente, isto me assusta. Vejo as pessoas dentro das carruagens desorientadas e despenteadas pela travagem brusca. Compõem as roupas e olham em redor intrigadas com a paragem. Fixam os olhares em mim, única pessoa que se encontra ali de fora, na linha 1, esperando... A porta da carruagem está mesmo à minha frente, aberta, convidando-me a entrar. Confesso que há muito que espero aquele comboio mas, de tanto o ter perdido ou este ter fugido de mim, agora apanhou-me de surpresa e não sei o que fazer. Até porque não era suposto ele fazer esta paragem! Não ali, não hoje! Não admira que as pessoas estejam desorientadas!! Seguro o corrimão da porta de acesso, preparando-me para subir, alço a perna e pouso o pé no degrau mas... estaco! Paralisei! Não sei o que fazer! Toda a vida fui decidida mas agora... tenho medo... E se a meio do caminho o comboio pára novamente para me expulsarem de lá? E se não chego ao meu destino? Mas... espera... para onde vai este comboio?! Subo as escadas com firmeza e pergunto. Respondem-me que cada qual tem o seu destino e ninguém sabe ao certo para onde vai... só sabem que é tempo de seguir.

8 comentários:

Leonor disse...

Acho que andamos muito explícitas. Gostei muito realmente muito. Demonstra muito. Abraço

Anónimo disse...

Não deixes que os cinzentos dos outros te incomodem. Os teus pretos e brancos são mais fortes, têm as tuas cores.

laura b. disse...

Ao menos vieste parar a um caminho, só te resta continuar. E viste postar, ao menos passaste por aqui para um cheirinho. Só espero que tenhas mais tempo para mais paragens. Beijo

Anónimo disse...

Ena... que 3 tão lindos :)
só gosto de p&b na área da fotografia, a vida gosto de a ver pintada sob uma palete de cores. Especialmente de verdes, azuis e rosas. E laranjas de final de tarde. Aliás, depois de fazer algo que gosto, sob a sensação de dever cumprido e realização pessoal e profissional, sinto-me numa explosão de cores, qual fogo de artifício que tanto me delicia por preencher o meu céu negro.

Beijos. muitos. para os 3.
façamos as despedidas neste momento em que estamos prestes a uma nova partida num outro comboio que, como o texto diz, não sabemos para onde vai... só sabemos que é hora de ir...

Anónimo disse...

tchhhhhi....

esquecemos de soprar as velas...

1 aninho já lá vai há quase 1 mês...

Anónimo disse...

olá

andava à procura de uma coisa na net e dei de caras com o vosso blog que pelo que percebi é colectivo. nada tem a ver com os temas que abordo mas gostei sinceramente desse misto de histórias tendo por base sempre o mesmo tema.

adorei

beijinhos

laura b. disse...

Sei que não tenho dito nada, mas o tempo anda curto. Tempos dificeis. Mas um dia destes dou-te notícias. É só esperar por novas aragens.
Um abraço

aya disse...

Muito interessante o teu texto! Uma realidade comum a todos nós: o medo da felicidade e o ficar comodamente na pequenez do nosso conhecido.